Há Quedas Por Vir

A Imagem de Uma Queda

O título “Há Quedas Por Vir” provoca reflexões sobre o colapso iminente de estruturas precárias—seja no contexto físico ou social. Essa ideia sugere um estado insustentável que está prestes a ruir. Mas, ao examinarmos essa metáfora mais de perto, podemos nos perguntar: na verdade, já estamos vivendo uma queda livre?

Significado da Performance

A performance é um ato equilibrado de autoconhecimento e consciência do mundo ao nosso redor. Neste trabalho, as artistas trazem à tona a fragilidade da condição humana, abordando como nos arriscamos em um sistema que, embora reconhecido como falho, continuamos a sustentar. Por meio da arte, a proposta é refletir sobre essa fragilidade e provocar uma reavaliação das normas sociais que governam nossa existência.

Reflexões Sobre Fragilidade

Em 2023, as artistas Érica Storer e Sansa Rope exploraram a vulnerabilidade de um corpo em ascensão, utilizando a performance como ferramenta para ressaltar o risco inerente à condição humana. Através de um protocolo que combina atividade tradicional de escritório com a prática artística, elas examinam a relação entre corpo e trabalho, revelando a tensão entre a fragilidade pessoal e as expectativas sociais.

Há Quedas Por Vir

A Ascensão do Corpo Artístico

A proposta de Storer e Rope é uma busca por compreender a inevitabilidade da queda, refletindo sobre os limites e a força do corpo diante de uma estrutura social efêmera. Essa ascensão e os desafios que vêm a seguir abrem espaço para uma consideração do que significa ser humano em um espaço de tensões contemporâneas.

Érica Storer e Sua Abordagem

Nascida em 1992 em Curitiba-PR, Érica Storer é uma artista visual que utiliza a performance, o vídeo e a instalação para criar novas narrativas e desafiar as normas do trabalho contemporâneo. Sua obra frequentemente discute as pressões por produtividade e eficácia colocadas sobre os indivíduos. Participou de importantes residências artísticas e suas obras estão expostas em diversas instituições reconhecidas, onde questiona a ética do trabalho em um mundo neoliberal.



Sansa Rope: Técnica e Política

Por outro lado, Sansa Rope, nascida em 1993 em São Paulo-SP, é conhecida por sua pesquisa em shibari, que transcende sua conotação erótica e se insere em debates críticos e sociais. Sua produção artísticas, que inclui performances, instalações e esculturas, reflete sobre a interação do corpo com estruturas sociais. Para Sansa, a amarração não é apenas um gesto estético, mas também uma declaração política que nos convida a considerar as dinâmicas de poder e vulnerabilidade.

O Impacto Social do Colapso

A performance “Há Quedas Por Vir” se insere em um contexto onde o impacto social do colapso de estruturas torna-se palpável. Através da arte, Storer e Rope nos forçam a confrontar as realidades desconfortáveis que muitas vezes tentamos ignorar. A análise das relações sociais e do trabalho se torna um convite à reflexão sobre como essas dinâmicas moldam nossas vidas de um jeito muitas vezes insustentável.

Estruturas de Trabalho em Crise

O cenário contemporâneo apresenta um paradoxo: reconhecemos as falhas e fraquezas das estruturas que sustentamos, mas continuamos a operar dentro delas, até que o desgaste se torne insuportável. As artistas provocam uma discussão sobre as normas sociais que mantêm o ciclo de produção elevado e o impacto disto em nossa saúde e bem-estar.

A Interseccionalidade da Arte

O trabalho realizado por Érica Storer e Sansa Rope não é apenas uma performance, mas um exercício de interseccionalidade, onde os temas de gênero, classe e trabalho se entrelaçam. Essa abordagem multidimensional é essencial para entender as experiências contemporâneas e como elas se manifestam através da arte.

Desafios e Perspectivas Futuras

Caminhando para o futuro, o desafio é como esses diálogos artísticos podem evoluir ainda mais. As artistas nos incentivam a questionar a própria essência do que significa cair e o que realmente se perde nesse processo. A interseção da arte com questões sociais exigirá um pensamento crítico sobre a forma com que moldamos nosso entorno e como a arte pode ser um vetor de mudança.



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