Bela Vista: Após empréstimo de terreno, Teatro Oficina espera definição do MinC

O diretor José Celso Martinez Corrêa, 73, está radiante. Fala a não mais poder de florada, primavera, reinterpretação da própria vida.

É que, depois de uma batalha de 30 anos com o Grupo Silvio Santos pela ocupação do terreno ao lado do Teatro Oficina, na Bela Vista (centro de SP), conseguiu o empréstimo da área por 30 dias.

Montará ali uma tenda de 55 m de comprimento por 30 m de largura que acolherá um festival com quatro peças da companhia, de 17 a 20/12.

O diretor espera que, antes do fim do governo Lula, o Ministério da Cultura anuncie a desapropriação ou a compra do terreno que pertence ao empresário –e no qual funciona um estacionamento.

“É fato consumado”, diz, lembrando que o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional que recomendou o tombamento do teatro (efetivado em junho passado) também sugeria a aquisição ou liberação do perímetro contíguo.

O ministério informou apenas que estuda uma solução para a ocupação do entorno. A Folha apurou que as duas hipóteses (compra e desapropriação) estão efetivamente sendo avaliadas.





Segundo Corrêa, um dos entraves à negociação sobre o uso do terreno era a oposição do ex-presidente do Grupo Silvio Santos, Luiz Sandoval. Ele deixou a corporação no último dia 18, em meio à crise detonada pelo rombo no Banco PanAmericano.

“Era nosso inimigo. Mandava gravar peças para mostrar que era uma indecência, dizia que eu era louco.”

Sandoval afirma que nunca gravou montagens do Oficina e que “não perseguia ninguém”. Chamou de infundadas as afirmações do diretor. “Só defendia a propriedade do terreno que pertencia às nossas empresas.”

Corrêa reconhece que o momento de fragilidade do conglomerado soprou a favor do acordo, mas pondera: “Se fosse outro empresário, talvez a cabeça fosse tão dura que ele não topasse”.

Antes do acerto, ele conta, “todas as possibilidades foram estudadas”. “O [João Pedro] Stédile [um dos líderes do MST] chegou a dizer que ocuparia conosco o terreno, se decidíssemos fazer isso.”

Fonte: Folha de S. Paulo





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